Ariel Ortega: "É lamentável que Falcao não jogue"

Amanhã, no Dragão, vai jogar-se mais do que um simples jogo de futebol; vai jogar-se um clássico, uma partida que pode decidir o campeão, mas também um jogo de reencontros com muitas histórias. Ariel Ortega, o veterano avançado argentino que participou nos Mundiais de 1994, 1998 e 2002, está intimamente ligado a todas elas: a Falcao, Farías, Belluschi, mas também a Saviola, Aimar e até mesmo Cardozo. Ele jogou no River Plate - por onde continua - com os portistas, mas também com os dois argentinos benfiquistas. Do outro lado do Atlântico, em estágio para mais um jogo do seu clube, ouviu com surpresa o anúncio de um jogo tão importante em Portugal. "Sinceramente, não sabia que se jogava um clássico por aí, mas ao escutar os nomes dos meus antigos companheiros, vieram-me à cabeça recordações muito lindas e momentos fantásticos a nível pessoal e colectivo". E para começar a conversa, falou-se de Falcao. Ou melhor, da ausência do colombiano com quem Ortega dividiu o balneário do River Plate durante mais de dois anos. "No que diz respeito ao duelo de goleadores entre o Benfica e o FC Porto, imagino que estão todos a lamentar a ausência do Falcao, que tem tido um rendimento impressionante desde que chegou à Europa. Aqui, na Argentina, ele também demonstrou grandes qualidades, mas teve o azar de nunca ter tido uma equipa a acompanhá-lo. Esteve num período complicado do River e isso nunca o ajudou por aqui", explicou.

Não há Falcao, há Farías para lutar com Cardozo pelo protagonismo dos golos no clássico de amanhã. E aqui adensam-se as histórias. Farías e Cardozo já se defrontaram duas vezes na Argentina: na primeira saiu-se melhor o benfiquista, com dois golos pelo Newell's Old Boys no empate (3-3) em Buenos Aires; da segunda vez foi o portista a bisar na vitória (2-1) do River alcançada em Rosário. E amanhã, quem ficará a ganhar? Ortega preferiu não apostar, mas vai tratando de tranquilizar os adeptos do FC Porto com os elogios utilizados para descrever o compatriota. "Tecla é um goleador nato. Tem características diferentes do Falcao, mas Farías não perdoa dentro da área. Está sempre bem colocado para receber os passes e finalizar, assim como para aproveitar os ressaltos na área. É muito inteligente, percebe onde vai cair a bola e muitas vezes é ele que se desmarca a pedir o passe. Para além disso, é impressionante a forma como segura a bola e como se movimenta nas alas. Aqui, ele nunca se cansava. Joguei com o Farías quando regressei ao River e até ele ir para Portugal. Sentimos muito a sua ausência, porque é um avançado que marca sempre entre 10 a 15 golos por época".

Depois dos elogios a Farías, seguiu-se Cardozo. E aqui surge mais uma história. O paraguaio chegou ao Newell's Old Boys precisamente quando Ortega se mudou para o River; dito de outro forma, Cardozo foi pago com parte do dinheiro que o seu anterior clube ganhou com a transferência de El Burrito. "Farías vai ter do outro lado Cardozo, um goleador que faz sofrer as defesas. É alto, cabeceia bem, e é muito difícil de marcar. Não me cheguei a cruzar com ele no Newell's porque chegou precisamente no momento em que me transferi para o River. Aliás, o dia em que voltei a jogar pelo River foi num jogo frente ao Newell's, em que ele marcou dois golos e acabámos por empatar 3-3 já em cima da hora. É um avançado que também vive dos golos, e que não se pode criticar por tocar poucas vezes na bola durante os 90 minutos, porque toda a gente sabe que quando tem uma oportunidade para marcar de certeza que não a vai desperdiçar, não é?" Bem, pelo menos os números mostrar que sim.

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